sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Resenha Crítica: Fausto: Uma Tragédia - Parte I

Mais uma resenha... Agora é sobre a primeira parte da tragédia teatral Fausto, obra máxima da literatura alemã, que ocupou cerca de 60 anos da vida de Goethe para ser terminada.

Engraçada, complexa e bastante trágica, é superior a todos os textos de mesmo gênero devido a grandes possibilidades de interpretações e assuntos abordados, sem falar que é nela que o protagonista afirma-se como reconhecido mito literário.

Bom...boa leitura!





Resenha Crítica

            Logo de cara vê-se o porquê do trabalho que ocupou grande parte da vida de Goethe ser considerado uma das maiores obras-primas, não só da literatura alemã, como também da mundial. A primeira parte de Fausto: Uma Tragédia se mostra desde o início como um poema muito bem trabalhado e pensado, feito especialmente para ser encenado.
            Dotada de vários fatores filosóficos e extremamente complexa, a peça não é dividida em atos, mas em cenas, que são ambientadas em diversos cenários. Antes disso, acontecem três prólogos, sendo os dois primeiros Dedicatória e Prólogo do Teatro metarreflexões acerca o conteúdo e produção da obra, bem como uma discussão sobre a real função do teatro para com seus expectadores. O Prólogo do Céu, que vem a seguir, introduz o trama da história. Assim como no livro bíblico de Jó, há uma disputa espiritual entre o bem e o mal, tendo como alvo dessa disputa um homem. Deus acredita que Fausto é essencialmente bom. Pode cometer diversos erros no decorrer de sua vida, mas, no final dela, obterá a luz. Já Mefistófoles pensa o contrário. Por achá-lo mal feito e dividido entre seus instintos animais e racionais, afirma que o protagonista cairá em condenação. O Senhor então autoriza o demônio a conduzi-lo por seus caminhos para lhe provar o contrário. E assim tem-se início a peça em seu plano terreno.
            Fausto encontra-se em seu lar, próximo a cometer suicídio por considerar-se fracassado em obter o conhecimento ilimitado. Estudou todas as ciências possíveis (medicina, filosofia, jurisprudência e teologia) e até fez uso de magia para tal, mas não obteve sucesso. Com seu assistente Wagner, saiu a passeio pelas ruas da cidade, onde passou a ser seguido por um cão. De volta a sua casa, especificamente dentro de seu quarto de trabalho (estúdio), o cão aparece novamente e se metamorfoseia em Mefistófoles. Após discutirem sobre vários assuntos, o demônio lhe propõe o seguinte: fará todas as suas vontades na terra em troca de serviços de sua alma no inferno. Ele aceita, sob o caráter da seguinte aposta: que isso só ocorra a partir de um momento que lhe seja extremamente feliz, ao ponto dele querer que tal momento dure para sempre. Eles assinam um contrato com sangue e passam a andar pelo mundo.
            Após uma confusão que tiveram com estudantes bêbados numa taverna em Leipzig, os dois vão ter com uma bruxa. Dela, Fausto recebe uma porção que o torna mais jovem e belo. Mesmo perplexo e obcecado pela beleza de Helena de Tróia, que enxergou em um espelho mágico, os dois partem. No caminho, ele avista Margarida e de cara se apaixona por ela. Usando-se dos termos de seu contrato, exige de Mefistófoles que a consiga para ele. O diabo sabe que a tarefa será muito difícil devido a pureza e a devoção da moça aos dogmas cristãos. Com presentes e ajuda de Martha, a vizinha da pretendida, que desempenha na peça a função de alcoviteira, consegue um encontro no jardim entre os dois. Para que esse encontro se estendesse ao quarto de Gretchen (como a moça era carinhosamente chamada), o rapaz entrega a sua amada uma poção de sono para que dê a sua mãe. A poção “acidentalmente” a mata. Para piorar a situação, Margarida engravida. Revoltado com o ocorrido, Valentim, seu irmão, um hábil militar, desafia Fausto para um duelo de morte. É vencido e morto pelo protagonista, que teve, para isso, a ajuda de Mefisto.
            Para consolar seu protegido, que encontrava-se desolado por causa de Margarida, o demônio o leva a festa da Noite de Santa Valburga. Lá, bruxas e diversos tipos de criaturas das trevas celebram. Uma delas tenta inutilmente seduzir Fausto, que ao ficar sabendo da condenação à morte de sua amada, culpada por ter assassinado afogado o filho recém-nascido devido a tanto desespero e loucura, exige do diabo que o ajude a soltá-la. No cárcere, mesmo abrindo a cela em que ela se encontrava trancafiada, Gretchen nega fugir. Com pouco resquício de sanidade, mal consegue reconhecê-lo. Acredita que já não possui seu amor e por isso aceita seu destino. Se desespera ainda mais quando avista Mefisto, entregando-se a morte. O demônio a sentencia culpada, mas um coro angelical rebate afirmando que ela salvou-se, devido a sua pureza e inocência. E assim termina a primeira parte da obra.
Mesmo não conhecendo nada da língua alemã, vale destacar a excelente tradução para o português, feita por Jenny Klabin Segall. Percebe-se isso pela notas e comentários contidos no rodapé, feitos por Marcus Vinícius Mazzari, que apontam a todo momento o respeito que a tradutora teve em manter as rimas e estruturas do poema como um todo, bem como sua originalidade e genialidade.
Como opinião pessoal, afirmo ser esta a melhor obra teatral que já li. Mesmo possuindo uma complexa rede filosófica em sua formação, onde se chocam valores contrários, tais como religião, magia, alquimia, o bem o mal, assim como importantes fatores políticos que moldavam o mundo na época de sua construção, como por exemplo a Revolução Francesa e o início da Revolução Industrial, é fácil entender o seu enredo e identificar algumas questões que lhe conferem valor literário, sendo o principal delas a busca do homem em descobrir-se a si mesmo, respondendo suas dúvidas e anseios.

domingo, 14 de outubro de 2012

Amor Obsessivo

O texto a seguir foi escrito por Isabella, uma de minhas alunas do 9º ano.


Isso prova que ainda há muito potencial, imaginação e criatividade dentro das salas de aula das escolas públicas. Basta saber procurar e incentivar...



 Valeu, Isabella!



  
Amor Obsessivo



Num belo dia ensolarado, onde todas crianças corriam e brincavam de pega-pega, nadavam na piscina do Clube São Paulo para se refrescar, um jovem branquinho, de cabelos loiros e olhos verdes, chamado Pedro, fazia 17 anos. Sentado no banco da quadra de basquete, vendo seus amigos jogar, olhou para o lado e viu uma garota bem clarinha, de olhos castanhos e longos cabelos pretos.
Ele olhava-a admirado, quando seu amigo Carlos chegou perto e disse:
- Gostou?
- Muito...
- Vai lá então, cara! Fala com a menina!
- Vou falar o quê?
- Chama ela para sair ou tomar um sorvete na cantina do clube.
- Humm... Beleza. Vou lá!
Pedro chegou perto dela e perguntou:
- Como você se chama?
- Laura. – respondeu ela, assustada. - Por quê?
- Gostei de você e gostaria de saber se queria tomar um sorvete comigo.
- Desculpe-me, mas não posso.
- Por quê?
- Não trouxe dinheiro.
- Isso não é problema. Se eu chamei, eu pago! – insistiu ele.
- Bom... Assim eu topo.
- Daqui meia hora na cantina do salão.
- Ok. Estarei lá.
Eles despediram-se com um beijo no rosto.
Pedro voltou com um enorme sorriso estampado na cara. Chegou para Carlos e disse:
- Consegui! Vou encontrá-la na cantina para tomar um sorvete.
- Falei que ela não iria resistir. Conheço as mulheres! – riu Carlos.
No horário e local marcado encontraram-se. Enquanto saboreavam sorvete, Pedro de chocolate e ela de morango, ele parou, puxou a menina pelo braço e perguntou:
- Você aceita namorar comigo?
Surpresa com a atitude do rapaz, ela olhou para seus olhos verdes e secamente respondeu:
- Não.
- Por quê?
- Não posso. Tenho que ir embora!
- Então pelo menos me passa o número do seu telefone...
Após passar seu número, foi embora.
Pedro, totalmente apaixonado por Laura, não conseguia parar de pensar nela. Não comia e tampouco dormia direito.
Na semana seguinte, voltou ao clube. Estava um dia tão belo como aquele. Pegou seu celular e mandou uma mensagem para ela, dizendo tudo que sentia por ela e a queria ao seu lado. Novamente pediu:
“Quer namorar cmg?”
A resposta de Laura veio seca, novamente:
“Naum”.
Mas Pedro não desistiu e de cinco em cinco minutos mandava a mesma mensagem:
“Vc aceita namorar cmg?”
Mas ela não respondia mais.
Pedro ficou apavorado e, com um objeto pontiagudo que encontrou, se cortou, escrevendo “Laura” em seu braço. O corte começou a sangrar e doer muito. Desesperado, pulou na piscina, mas não conseguiu nadar por causa da dor. Então, morreu afogado e de amor.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Renha Crítica: Dom Juan - O Burlador de Sevilha e o Convidado de Pedra

Para quem acha que Dom Juan é um cara bonzinho, bonito, galanteador, por quem todas as mulheres se derretem, aqui vai a resenha da obra que deu origem ao mito presente em diversos filmes e clássicos da literatura mundial.


Resenha Crítica

Dom Juan Tenório é o protagonista da peça intitulada El Burlador de Sevilha y Convidado de Piedra, de  Tirso de Molina, pseudônimo de Frei Gabriel Telléz. Jovem, atraente, mulherengo e com uma lábia requintada, capaz de enganar facilmente as mulheres, logo no início da trama comete sua primeira burla. A vítima é Isabela, uma nobre da corte de Nápoles, que pretende-se casar-se com Otávio, um duque também napolitano. Aproveitando-se da pouca iluminação, Dom Juan finge ser seu pretendente para enganá-la. Após ser descoberto e aconselhado por  Dom Pedro, seu tio, foge para que não seja condenado à prisão. No caminho de volta para sua casa sofre um naufrágio. É resgatado por Tisbea, uma bela pescadora que, com seus cantos e atributos, tenta seduzi-lo. Porém, ocorre exatamente o contrário. Mesmo advertido por Cagarolão, seu lacaio, que insistia para que ele não enganasse mais as mulheres, pois acreditava que tal comportamento lhe daria um final trágico, Juan decide burlá-la. Depois de prometer casar-se com ela, além de ludibriá-la com as vantagens que o referido casório lhe trariam, Juan a leva para uma cabana, onde depois consuma sua vontade e foge para não cumprir suas promessas. Quando percebe que fora enganada, Tisbea chora amargamente e, junto de seus familiares, prometem vingar-se do burlador.
Em Sevilha, Dom Juan encontra-se com o Marquês da Mota, um velho amigo com quem vivenciou muitas experiências envolvendo mulheres. Depois de conversarem bastante, Mota lhe diz que está apaixonado pela prima, chamada Ana de Ulhoas. Confidenciou-lhe que ela já está noivada, mas, antes de casar-se, queria entregar-se a ele. Querendo aproveitar-se da situação, Juan propõe um desafio ao marquês que visava testar a fidelidade de Ana. De posse da capa do amigo, vai até o quarto de Ana com o intuito de passar-se por seu amado e burlá-la. Ela porém o reconhece e grita por socorro. Seu pai, Dom Gonçalo, aparece e desafia Dom Juan. Ele tenta negar, mas, mediante a insistência do velho, luta com ele, matando-o. Mais uma vez o protagonista foge, indo encontra-se com Marquês da Mota. Depois de contar-lhe todo o ocorrido, é sugerido que saia de Sevilha enquanto a situação é abafada. Na sequência, o nobre é preso e condenado à morte.
Juan e Cagarolão escapam para o campo. Chegam numa vila onde está acontecendo a festa de casamento de Batrício e Aminta, dois camponeses. São muito bem recebidos pela noiva e familiares, menos pelo noivo, que encara a presença de um nobre como algo que trará mau agouro. Pensando em cometer uma nova burla, que segundo sua opinião será a melhor delas, o burlador passa a seduzir a mulher, mesmo na presença de seu noivo. Quando não mais aguentava de ciúmes e sentindo-se desonrado, o camponês vai pedir satisfações ao galanteador, que o desafia. Não querendo confrontar-se com um nobre, acaba recusando. Com isso, Juan vai até Gasseno, pai da noiva, e diz que se casará com ela. Com a aprovação óbvia dele,  entra no quarto da bela camponesa que, após muitas juras do enganador, referentes a ele ser o atual noivo dela e não mais Batrício, torna-se mais uma de suas vítimas.
Já em casa, na hora do jantar, alguém bate a porta. Cagarolão atende e se depara com Dom Gonçalo, encarnado numa estátua fantasmagórica e, assim como os outros criados, foge de medo. Dom Juan convida a alma penada para jantar com ele. Além de aceitar, a estátua quer retribuir a gentileza em seu mausoléu e o protagonista acaba aceitando. Os dois aventureiros cumprem a promessa e vão jantar no recinto do morto. Depois de conversarem bastante, Dom Gonçalo diz que é chegada a hora do burlador ser penalizado por seus pecados. Juan tenta mostrar-se arrependido e alcançar o perdão, mas lhe é negado. Então a estátua, de mãos dadas com ele,  leva sua alma direto para o Inferno. Ao ver o corpo sem vida de seu amo, Cagarolão foge, encontrando pouco depois os demais personagens, que vinham, juntamente com o rei, penalizar seu finado senhor pelos atos que havia cometido. E assim termina a peça. 
   
Confirmando a ideologia dominante, o autor, com o final que atribuiu à peça, conferiu-lhe valores presentes no moralismo cristão. A condenação ao Inferno que o protagonista recebe provoca o efeito de catarse esperado em qualquer tragédia/tragicomédia da época. Assim sendo, o leitor/espectador sente-se confortado ao presenciar que de alguma forma houve justiça para as vítimas do galanteador.
No decorrer  da história Dom Juan engana quatro mulheres. Sequencialmente, suas burlas tornam-se cada vez “melhores” e mais difíceis de serem aplicadas. Segundo o próprio personagem afirma nos versos de número 1975 e 1976, a melhor delas seria realizada (e foi) em Aminta, sua quarta vítima. Assim como o número quatro simboliza a estabilidade e a perfeição, pode-se inferir que, a partir de sua quarta e última fraude, ele sentiu-se realizado por aplicar, segundo sua opinião, uma burla “perfeita”.
Nos versos de número 1310 ao de 1313, Juan deixa claro os motivos pelos quais engana as mulheres: pelo puro prazer que o ato lhe proporciona, além de desonrá-las socialmente. Seja simplesmente por má índole ou por oposição aos valores da época, principalmente em relação ao casamento, o personagem principal da peça não deixa de ser um vilão que se aproveita de sua condição social para saciar seu vício.
Mesmo assim, é compreensível o fato de Dom Juan ter virado um mito e ter sofrido ao longo da história várias adaptações. Tudo isso graças ao ego super complexo do protagonista, bem como outros elementos presentes na obra, como a sedução, o amor cortês e a vingança, por exemplo,  terem conferido ao El Burlador de Sevilha y Convidado de Piedra um caráter universal e digno de fazer parte do rol dos maiores clássicos da literatura mundial.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Gafes em Tribunais

   Essa postagem aqui vai para a galera do Direito...


Estas são piadas retiradas do livro "Desordem no tribunal". São coisas que as pessoas realmente disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos.








Advogado : Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de julho.
Advogado : Que ano?
Testemunha: Todo ano.

Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afeta sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado : E de que modo ela afeta sua memória?
Testemunha: Eu esqueço das coisas.
Advogado : Você esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?

Advogado : Que idade tem seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.

Advogado : Qual foi a primeira coisa que seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, "Onde estou, Bete?"
Advogado : E por que você se aborreceu?
Testemunha: Meu nome é Célia.

Advogado : Me diga, doutor... não é verdade que, ao morrer no sono, a pessoa só saberá que morreu na manhã seguinte?

Advogado : Seu filho mais novo, o de 20 anos...
Testemunha: Sim.
Advogado : Que idade ele tem?

Advogado : Sobre esta foto sua...o senhor estava presente quando ela foi tirada?

Advogado : Então, a data de concepção do seu bebê foi 08 de agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado : E o que você estava fazendo nesse dia?

Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado : Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum
Advogado : E quantas eram meninas?

Advogado : Sr. Marcos, por que acabou seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge.
Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?

Advogado : Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado : E era um homem ou uma mulher?

Advogado : Doutor, quantas autópsias o senhor já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas...

Advogado : Aqui na corte, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, Ok? Que escola você freqüenta?
Testemunha: Oral.

Advogado : Doutor, o senhor se lembra da hora em que começou a examinar o corpo da vitima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h.
Advogado : E o Sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, se perguntando porque eu estava fazendo aquela autópsia nele.

Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina?

Advogado : Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da vítima?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado : Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado : Como o senhor pode ter essa certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado : Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e cursando Direito em algum lugar!!!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

As Opiniões do Menin®-Chat®

                            Lindos... Por Fora


“ – Espelho, espelho meu... Será que tem no mundo alguma coisinha mais bonitinha do que eu?” – perguntava a bela princesinha.
- Não, Sofia. É só você e é isso aí! Mas, se não se casar até a meia noite, entenda, vai se transformar numa bruxa horrenda!” – respondia o paciente espelho.

Quem não se lembra deste famoso dialogo entre a princesinha Sofia e o espelho mágico no famoso desenho O Pica-Pau?
Esse episódio, que é um dos melhores para mim, juntamente com outros fatos que acompanhei durante a semana passada, me deram a idéia sobre o que opinar neste blog nesta semana: Atualmente, como as pessoas estão se preocupam tanto com sua beleza exterior!
“ - Mas sempre foi assim!” – disse-me uma amiga, quando conversávamos sobre este mesmo assunto.
Expondo minhas idéias para ela, consegui convencê-la de que eu tinha razão.

Há algum tempo, as pessoas mais vaidosas iam ao cabeleireiro, a manicure, a pedicure, faziam uma maquiagem ali, outra aqui, se perfumavam...
Hoje, para essas mesmas pessoas, há um creme para cada parte do corpo, silicone, cirurgias plásticas financiadas a gosto do cliente, aplicação de botox, peeling, lipoaspiração, e muitas coisas mais. Tem até cirurgia plástica para embelezamento e rejuvenescimento da vagina! Vê se pode!
E não digam vocês que só temos todos esses aparatos por causa dos avanços tecnológicos do tempo. Não é! A Indústria Cosmética só inventou essas coisas explorando a necessidade exagerada de mulheres e homens (chamados de metrosexuais) de encontrarem soluções contra algo que por mais que lutemos, nunca iremos vencer, que é o tempo.

Alguns e outros poderão pensar que eu, Menino-Chato, provavelmente seja um menininho bem sujo e feio, que use uma mesma cueca por dias e dias, que não corte o cabelo e nem as unhas, que anda mal vestido e mal lava o rosto ao acordar. Não, não sou.
Realmente temos que nos cuidar sim. Andar limpo e perfumado, com uma roupa igualmente limpa e confortável, com a higiene pessoal em dia... Tudo isso é básico. Porém, quando as pessoas tem a fixação de ficarem bonitas, principalmente quando para os outros e não para si própria, na minha opinião, já é burrice. Ou doença.

Alguns amigos meus, que são punks, diriam que: “Essas pessoas, manipuladas como são, apenas fazem a vontade do Sistema e seguem cegamente o que ele define.” Acho que eles têm razão.
A Moda nos diz o que vestir e calçar. A Mídia, com suas novelas, propagandas e comerciais, nos define o que é belo e feio, o que é legal e o que é chato... Só não sei por quê as pessoas se importam e atentam tanto para isso.

Por favor, me digam quando foi que a beleza passou a ser mais importante que a inteligência, o conhecimento e a cultura. Será que é devido ao fato de uma pessoa, seja homem ou mulher, conseguir ter mais chance de enriquecer na vida apenas por ser bonita e gostosa do que alguém que fica infurnado em uma faculdade por anos? Ou será pelo motivo de ser mais fácil uma bunda humana, que dança (rebola) movida a uma música composta de apenas quatro letras e um acento agudo (créu), conseguir notoriedade, do que alguém que dedica sua vida inteira tomando aulas de dança e teatro?
Que época ruim estamos vivendo, não é? Que mundo mais estranho esse!

Mas como temos que nos adaptar a tudo, e eu não posso ser diferente, acho que não escreverei mais por aqui... Que futuro terei? Serei reconhecido algum dia desses? O que ganharei com todas essas minhas opiniões jogadas ao léu? Para o bem do povo e felicidade geral de vocês, é isso que farei!
Amanhã mesmo procuro alguma academia, Talvez eu vá também a um salão de beleza, logo após fazer uma bela compra em um shopping center por aí.
Chega de ler, escrever e estudar! Frequentarei a partir de agora as mais caras baladas. Quem sabe, eu não pegue alguma gata famosa e depois não seja convidado a participar do próximo Big Brother?
Para quê se importar com a beleza interior se, mesmo sendo dádiva de Deus a poucos, a beleza exterior é a que importa e a que dá dinheiro?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Maior Brasileiro de Todos os Tempos

Texto do meu amigo, Prof. Ms. Leonardo Dallacqua de Carvalho, referente ao programa "O Maior Brasileiro de Todos os Tempos" do SBT.


Não é de hoje que a Mídia brasileira se apóia em programas de emissoras internacionais para criarem seus programas e suas versões. Foi assim com o fatídico BBB, Dança dos Famosos e tantos outros que demoraria um bom tempo para listá-los. Não foi diferente com "O maior Brasileiro de Todos os Tempos", atração do SBT. Um programa onde a população listaria os seus representantes mais importantes para a história do país. O formato na Inglaterra rendeu o título a Churchill, na Itália a Da Vince e na África do Sul a Mandela. Até aí nada de anormal. Mas já viram a lista do Brasil dos principais indicados? Disponível no link que deixarei no final dessa postagem é possível notar a classificação do 100º ao 13º.
Os voto contabilizados dos que se atrelaram a essa pesquisa, apontam Neymar como 20º brasileiro de todos os tempos, na frente de expoentes como D. Pedro II, Tancredo Neves, Monteiro Lobato, Drummond, Carlos Chagas, e outros que nem constam nessa lista.

Mais curioso é o nome do Ladrão Edir Macedo na posição 13º, o câncer Malafaia na 25º e Valdemiro Santiago na 36º. O que esses homens fizeram à população além de extorquir oprimidos emocionalmente, se apropriando da religião como apoio para enriquecer? São uns dos maiores brasileiros de todos os tempos? Obviamente não, mas para os lacaios que acreditam em alguma santidade fictícia nesses homens, provavelmente vão se desesperar se lerem algo do tipo.

Rodrigo Faro em 39º, Xuxa em 40º, Padre Marcelo Rossi (sim, aquele que faz shows musicais), Dedé do Vasco em 63º, Cláudia Leite em 75º, Datena em 81º, Ronaldinho Gaúcho em 82º (o mesmo que já ganhou a medalha Machado de Assis por...?) , Joelma em 83º, enfim...
Minhas conclusões são previsíveis. Um povo que considera como ídolos somente os que foram seus contemporâneos. Um povo com um grau bem pequeno de conhecimentos históricos, carentes de heróis nacionais.
Um povo que prefere colocar o fanatismo inquisitório das religiões acima de homens realmente de bem como Zumbi, Chico Mendes, e tantos outros.
Votações tristes de fãs de bandas em um programa que apesar de show da televisão brasileira carrega uma forte conotação de heróis nacionais. Sei que é pedir muito considerarem isso como algo sério, e realmente não é. Mas isso é nada mais que um gráfico, de que a educação brasileira continua como último plano para todas as ramificações sociais.
Obviamente essa minha constatação cerne aqueles que votaram nesse programa. Mas é compreensível, e se alguém falar que está surpreso com isso, é porque não vive no Brasil. Afinal, Ame-o ou deixe-o...
Tenho até medo de ver o resultado dessa seleção.


http://www.sbt.com.br/omaiorbrasileiro/